12.1 Classificação e contato
O sumério é normalmente classificado como língua isolada: não possui parentes genéticos demonstrados por método comparativo. “Isolada” não significa que surgiu sem ancestrais; significa que os dados disponíveis não conectam sua linhagem a outra língua conhecida (Campbell 2017). Foi usado na Mesopotâmia e entrou em contato profundo com o acadiano. Bilíngues, escolas de escribas e empréstimos produziram convergências e vocabulário compartilhado.
O contato sumério-acadiano é um exemplo clássico de por que semelhança não implica descendência. Sumério e acadiano são estruturalmente muito diferentes e geneticamente não relacionados, embora cada um tenha influenciado o outro. Como o hebraico é parente do acadiano, alguns itens mesopotâmicos podem chegar ao hebraico por cadeias de contato; isso não faz o sumério derivar do hebraico nem o hebraico derivar do sumério.
12.2 Teste de alegações “sumério vem do hebraico”
Uma lista de palavras supostamente semelhantes deveria fornecer:
formas sumérias normalizadas e valores em contextos datados;
formas hebraicas antigas, não vocalizações arbitrárias;
uma tabela de correspondências sonoras repetidas;
morfemas gramaticais compartilhados em paradigmas;
direção de mudança e estágios intermediários;
tratamento explícito de empréstimos via acadiano.
As alegações populares normalmente alinham uma palavra suméria e uma hebraica por tradução moderna, toleram trocas livres de sons e ignoram a morfologia aglutinante suméria. Sem séries regulares, o resultado é numerologia lexical, não etimologia. A anterioridade documental do sumério reforça o problema de uma derivação do hebraico, mas não é o único argumento: a ausência de uma gramática herdada e de correspondências sistemáticas é decisiva.
12.3 O que seria necessário para mudar a classificação
Línguas isoladas podem ganhar parentes se surgirem novos dados. Para relacionar sumério e hebraico, seria necessário descobrir um conjunto amplo de cognatos básicos, correspondências fonológicas sem exceções arbitrárias e morfemas comparáveis que não sejam empréstimos. Uma hipótese assim seria publicável e testável. Até hoje, não existe demonstração aceita desse tipo.