13.1 Quatro perguntas diferentes
Origem biológica da capacidade linguística: evolução neural, anatômica, cognitiva e social que permite linguagem.
Origem de uma língua específica: história de transmissão e mudança de uma comunidade, como hebraico ou japonês.
Reconstrução de proto-línguas: inferência comparativa a partir de filhas conhecidas.
Primeiros registros escritos: invenção e preservação de sistemas gráficos, ocorrida muito depois da fala.
Confundir essas escalas cria um salto de centenas de milhares de anos entre evolução humana e uma língua da Idade do Ferro.
13.2 Linguística, paleoantropologia, arqueologia e genética
A linguagem não fossiliza. Ossos hioides, anatomia do trato vocal, endocastos, genes associados à fala, ferramentas, arte simbólica e redes sociais fornecem indícios sobre capacidade cognitiva, não vocabulários. Um estudo de síntese recente propôs que a capacidade linguística estivesse presente em Homo sapiens por volta de pelo menos ~135 mil anos, com uso social amplo possivelmente mais tarde; os próprios autores tratam isso como inferência a partir da divergência populacional, não gravação de uma protolíngua (Miyagawa et al. 2025). Outras sínteses enfatizam que capacidades biológicas e transmissão cultural podem ter trajetórias distintas e que a origem permanece sem consenso (Arnon et al. 2025).
Genética populacional reconstrói parentesco e separação entre populações. Línguas podem acompanhar migrações, mas também podem ser substituídas sem substituição genética equivalente. Populações geneticamente próximas podem falar línguas de famílias diferentes, e uma língua pode expandir-se por mudança cultural. Logo, um haplogrupo não identifica o idioma de Adão nem o “primeiro vocabulário”.
13.3 Limite temporal do método comparativo
Não existe uma parede cronológica universal, mas o sinal se degrada. Sons mudam, palavras básicas são substituídas, morfemas se erodem, empréstimos se acumulam e ramos desaparecem sem documentação. Campbell e Rankin observam que, em condições comuns, cerca de oito a dez mil anos já constituem uma profundidade excepcional para demonstração segura; famílias com registros antigos e morfologia conservadora podem permitir detalhes especiais, mas não uma ponte de cem mil anos.
13.4 Proto-Human, Proto-World, monogênese e poligênese
Monogênese da capacidade linguística é a hipótese de uma origem evolutiva comum da faculdade humana. Monogênese das línguas afirma que todas as línguas faladas descendem de uma única língua. A primeira pode ser discutida biologicamente sem que a segunda seja recuperável filologicamente. Mesmo se todas as línguas tivessem uma única origem, erosão temporal poderia tornar a ancestralidade indemonstrável.
“Proto-World” ou “Proto-Human” designa tentativas de reconstruir vocabulário universal por comparações de famílias muito remotas. Essas propostas são minoritárias e não aceitas como reconstruções demonstradas porque usam conjuntos curtos, toleram semelhança sem correspondência regular, selecionam significados flexíveis e não controlam probabilidade de acaso. A posição responsável não é afirmar poligênese como fato, mas reconhecer que os dados atuais não decidem uma língua única original nem recuperam sua forma.