7.1 Ramos e controvérsias
O Afro-Asiático é um agrupamento de grande profundidade. A apresentação de seis ramos é comum: semítico, egípcio, berbere, cuchítico, chádico e omótico (Frajzyngier e Shay 2012). A inclusão do omótico, porém, é contestada; o Glottolog, adotando uma postura conservadora, não o inclui sem diagnósticos considerados suficientes. Também se discute se “berbere” e outros ramos devem ser internamente subdivididos antes de comparações profundas.
| Ramo | Exemplos | Situação documental | Observação classificatória |
|---|---|---|---|
| Semítico | Acadiano, hebraico, aramaico, árabe, geʿez | Desde o III milênio a.C. | Ramo internamente bem demonstrado |
| Egípcio | Egípcio antigo a copta | Desde o fim do IV milênio a.C. | Ramo unitário com longa história escrita |
| Berbere | Tuaregue, tamazight, tarifit | Antiguidade líbico-berbere e documentação moderna | Relação afro-asiática amplamente aceita |
| Cuchítico | Oromo, Somali, Beja e outros | Predominantemente moderna; tradições regionais | Estrutura interna debatida; posição do Beja varia |
| Chádico | Hausa e centenas de línguas | Majoritariamente moderna | Ramo amplo, com reconstruções internas |
| Omótico | Wolaytta, Gamo, Bench e outros | Moderna | Frequentemente incluído, mas estatuto afro-asiático contestado |
7.2 Data, região e limites
As propostas para Proto-Afro-Asiático variam aproximadamente de ~18.000 a ~8.000 a.C., e algumas cronologias ficam fora desse intervalo. Essa dispersão não deve ser comprimida em uma data exata. Hipóteses de origem incluem o Nordeste da África, o Saara oriental, o Chifre da África e o Levante/adjacências do mar Vermelho. Léxico de subsistência, arqueologia e genética foram usados, mas dependem de reconstruções e associações discutíveis.
Alguns paralelos são recorrentes — gênero gramatical, elementos pronominais, feminino em *t, padrões de derivação e correspondências lexicais —, mas a distância temporal torna difícil distinguir herança, erosão, analogia e contato. Não há reconstrução consensual do inventário completo, da sintaxe ou de uma árvore interna com resolução comparável à do indo-europeu ou do semítico.
7.3 Pode o Proto-Afro-Asiático ser hebraico?
Não há evidência científica para essa identificação. O hebraico possui inovações cananeias e semíticas noroestes que não pertencem aos outros ramos. Egípcio e chádico, por exemplo, não exibem uma passagem histórica por um estágio hebraico reconstruível. Para identificar PAA com hebraico seria necessário demonstrar que as formas ancestrais de todos os ramos derivam de morfologia e fonologia hebraicas, com correspondências regulares e cronologia compatível. Nenhum programa de pesquisa reconhecido produziu tal demonstração.
Em termos de árvore, hebraico está em uma ponta recente: PAA → PS → semítico ocidental/central → noroeste → cananeu → hebraico. Mesmo que nós intermediários sejam reconfigurados, a direção geral é sustentada por inovações compartilhadas e registros independentes.