5.1 A cadeia classificatória
Uma formulação didática comum é:
Afro-Asiático → Semítico → Semítico Ocidental → Semítico Central → Semítico Noroeste → Cananeu → Hebraico.
Essa cadeia é útil, mas seus nós não têm todos o mesmo grau de consenso.
| Nível | Estatuto | Qualificação |
|---|---|---|
| Afro-Asiático | Muito amplamente aceito | Omótico é incluído por muitos, contestado por outros; árvore interna profunda é incerta |
| Semítico | Muito robusto | Definido por léxico, morfologia e correspondências extensas |
| Semítico Oriental | Robusto | Acadiano e eblaíta contrastam com o restante por inovações compartilhadas |
| Semítico Ocidental | Útil, mas sua estrutura interna é debatida | Pode funcionar como contraparte de oriental; “meridional” e “central” variam entre modelos |
| Semítico Central | Amplamente influente, não unanimidade absoluta | Normalmente reúne árabe e semítico noroeste por inovações verbais e outras características |
| Semítico Noroeste | Robusto como domínio; topologia interna debatida | Ugarítico, aramaico, cananeu, samaliano e Deir Alla; relações exatas podem ser modeladas como politomia ou subgrupos |
| Cananeu | Robusto | Hebraico, fenício/púnico e variedades transjordanianas compartilham inovações; fronteiras dialetais são graduais |
| Hebraico | Diretamente documentado | Uma variedade/continuum histórico dentro do cananeu |
Rubin (2008) defende o valor do Semítico Central. Pat-El e Wilson-Wright (2018) salientam que a hierarquia interna do noroeste não está inteiramente resolvida e propõem um subgrupo aramaico-cananeu. Outros modelos mantêm aramaico, cananeu, ugarítico e variedades menores em relações menos hierarquizadas. Nenhuma dessas divergências transforma hebraico em ancestral de acadiano, árabe ou das línguas cananeias irmãs.
5.2 Irmão não é pai
Classificar hebraico e fenício como cananeus significa que ambos descendem de uma fase ancestral com inovações compartilhadas. Um paralelo biológico ajuda, com cautela: dois irmãos compartilham pais, mas um não é, por isso, pai do outro. Linguisticamente, a prova está nas mudanças: se hebraico e fenício exibem uma inovação ausente em ugarítico, a hipótese econômica é que a mudança ocorreu no ancestral cananeu; se cada um possui outras inovações exclusivas, eles se separaram depois.
Derivar fenício, moabita e amonita do hebraico exigiria reclassificar como “hebraicas” precisamente as características que definem o ancestral comum, além de explicar por que os primeiros textos regionais não passam por uma sequência intermediária hebraica documentável. O rótulo moderno de uma filha não deve ser projetado retrospectivamente sobre o ancestral.