19.1 “Não há evidência” versus “há evidência contra”
Não há evidência de X quando os dados simplesmente não alcançam a questão: não temos gravação da primeira comunidade humana, nem um método para recuperar sua língua completa. Há evidência positiva contra X quando X faz previsões e os dados exibem o padrão contrário: hebraico como ancestral do acadiano prevê uma direção histórica incompatível com a reconstrução e com os paradigmas distribuídos.
Portanto:
“Adão pronunciou estas palavras em hebraico” é, sem acesso independente a Adão, não verificável;
“todas as línguas documentadas descendem do hebraico histórico” é testável e contradita;
“existiu uma língua única muito remota” é possível como hipótese, mas não demonstrada;
“essa língua única era estruturalmente o hebraico da Bíblia” entra em conflito com a história recuperável do hebraico.
19.2 Lacunas inevitáveis
Não podemos estabelecer o dia ou século em que “o hebraico nasceu”. Dialetos mudam gradualmente. Não podemos reconstruir a pronúncia exata de todas as consoantes proto-semíticas. Não podemos datar Proto-Afro-Asiático com precisão de milênios. Não podemos inferir língua diretamente de genes, cerâmica ou etnia. Não podemos saber quantas línguas desapareceram sem qualquer registro.
19.3 O limite lógico do veredito
Demonstrar que hebraico não é ancestral das famílias conhecidas não identifica a primeira língua humana. Também não prova poligênese. O resultado é assimétrico: a hipótese hebraica específica falha; a pergunta universal permanece aberta. Essa modéstia não enfraquece a conclusão sobre hebraico — impede apenas transformar uma refutação localizada numa teoria total sem dados.