17.1 Se todas as línguas descendessem do hebraico, o que esperaríamos?
correspondências fonéticas regulares ligando raízes hebraicas antigas ao vocabulário básico de cada família;
resíduos sistemáticos de morfologia hebraica — pronomes, gênero, plurais, conjugação — em estágios reconstruídos;
árvores intermediárias nas quais Proto-Indo-Europeu, Proto-Sino-Tibetano etc. aparecessem como transformações deriváveis do hebraico;
cronologia em que o estágio ancestral hebraico antecedesse as divergências e registros das filhas;
uma distribuição geográfica e arqueológica capaz de explicar a expansão;
redução de irregularidades quando a hipótese é aplicada, em vez de regras diferentes para cada par de palavras;
capacidade preditiva: prever uma forma ainda não usada na comparação.
17.2 O que os dados mostram
Famílias bem estabelecidas possuem seus próprios sistemas de correspondências e proto-línguas. Proto-Indo-Europeu reconstrói flexão nominal e verbal que não deriva da morfologia hebraica; austronésio possui evidências próprias em pronomes, numerais e morfologia de voz; sino-tibetano, nígero-congolês e outras famílias têm histórias independentes, mesmo onde suas árvores internas são disputadas. Semelhanças ocasionais com hebraico não se alinham em regras comuns.
Não existe série de estágios “hebraico → Proto-Indo-Europeu → germânico”, nem documentação de uma expansão hebraica pré-histórica global. As datas propostas para proto-línguas não podem ser encaixadas numa fase de hebraico histórico. O modelo falha justamente onde uma genealogia deveria ser mais forte: morfologia e correspondências regulares.
17.3 Se o hebraico fosse um ramo relativamente tardio, o que esperaríamos?
línguas semíticas mais antigas documentadas;
traços ancestrais distribuídos entre diferentes filhas;
inovações compartilhadas com cananeu e inovações exclusivas do hebraico;
inscrições iniciais difíceis de separar num contínuo dialetal;
ausência de hebraico nas reconstruções de famílias não afro-asiáticas;
contato e empréstimo com vizinhos sem transformar essas línguas em descendentes.
Todos esses padrões são observados. O modelo filogenético padrão tem maior alcance, precisão e capacidade de teste.
17.4 Comparação formal
| Critério | Modelo “origem hebraica universal” | Modelo “hebraico como ramo cananeu” |
|---|---|---|
| Correspondências sonoras | Não fornece conjunto mundial regular | Explica reflexos semíticos recorrentes |
| Morfologia | Requer perdas e recriações em massa | Reconstrói paradigmas acima das filhas |
| Cronologia | Postula hebraico não documentado antes de sua definição | Compatível com acadiano/eblaíta anteriores e hebraico da Idade do Ferro |
| Epigrafia | Reclassifica alfabetos antigos como hebraicos | Distingue escrita, língua e contínuo dialetal |
| Geografia | Requer dispersão mundial sem trilha própria | Ajusta-se ao Levante cananeu e contatos regionais |
| Poder preditivo | Baixo; pares escolhidos após observação | Alto; prevê reflexos e formas reconstruídas |
| Hipóteses auxiliares | Numerosas e não independentes | Menores e verificáveis |