9.1 Cronologia comparativa
A tabela usa “primeiro registro” de maneira qualificada. Sistemas muito antigos podem ser parcialmente logográficos e difíceis de atribuir a uma língua; nomes próprios podem preceder textos contínuos; e a data arqueológica de uma peça pode ter margem de décadas ou séculos. Ainda assim, a ordem geral é segura.
| Língua | Família | Primeiro registro aproximado | Tipo de documentação | Relação com o hebraico | Certeza/observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Sumério | Isolada | proto-cuneiforme ~3300–3200 a.C.; atribuição linguística plena mais segura no início do III milênio | Contas administrativas, depois textos lexicais e literários | Nenhuma relação genética demonstrada; contato com acadiano | Alta para a escrita; moderada para a leitura linguística dos sinais mais arcaicos |
| Egípcio antigo | Afro-Asiático, ramo egípcio | ~3250–3100 a.C. | Etiquetas, inscrições reais e funerárias; depois textos contínuos | Parente muito remoto dentro do Afro-Asiático, não descendente do hebraico | Alta para a ordem cronológica; leituras dos itens mais antigos são limitadas |
| Acadiano | Semítico oriental | nomes/glosas ~2600–2500 a.C.; corpus amplo ~2350 a.C. | Cuneiforme silábico e logográfico | Língua-irmã distante, separada antes do hebraico | Muito alta |
| Eblaíta | Semítico oriental ou muito próximo dele | ~séculos XXIV–XXIII a.C. | Arquivos de Ebla em cuneiforme | Parente semítico antigo; classificação exata discutida | Alta |
| Amorita | Semítico noroeste ou variedade semítica ocidental antiga | nomes e palavras ~fim do III/início do II milênio | Principalmente nomes pessoais em textos acadianos | Parente distante; corpus insuficiente para uma gramática completa | Moderada; “língua” inferida onomasticamente |
| Elamita | Isolada/não classificada | antigo elamita ~século XXIII a.C. | Cuneiforme; documentos administrativos e reais | Nenhuma relação genética demonstrada | Alta; proto-elamita anterior continua indecifrado e não deve ser contado como elamita lido |
| Hurriano | Hurro-urartiano | nomes ~fim do III milênio; textos ~séculos XVII–XIV a.C. | Cartas, rituais, tratados | Não geneticamente relacionado; contato regional | Alta para textos contínuos; anterioridade onomástica qualificada |
| Hitita | Indo-Europeu, anatólio | tabuletas ~século XVII a.C.; material onomástico anterior | Cuneiforme em arquivos da Anatólia | Nenhuma relação genética; contatos e empréstimos são possíveis | Muito alta; mais antiga língua indo-europeia amplamente documentada |
| Grego micênico | Indo-Europeu, helênico | ~1450–1200 a.C. | Linear B, sobretudo inventários palacianos | Nenhuma relação genética; contato mediterrânico não implica filiação | Muito alta |
| Ugarítico | Semítico noroeste | ~séculos XIV–XIII a.C. | Alfabeto cuneiforme; mitos, cartas, administração | Língua-irmã do domínio noroeste, não hebraico arcaico | Muito alta |
| Cananeu de Amarna | Semítico noroeste/cananeu | ~século XIV a.C. | Glosas e interferência cananeia em cartas acadianas | Antecedente regional, não ancestral linear exclusivo do hebraico | Alta; natureza mista dos textos exige análise |
| Chinês antigo | Sino-tibetano | ~século XIII a.C. | Inscrições oraculares em ossos e carapaças | Nenhuma relação genética demonstrada | Muito alta |
| Fenício | Semítico noroeste, cananeu | inscrições diagnósticas ~séculos XI–X a.C., com datas individuais debatidas | Monumentos, dedicatórias, comércio | Língua-irmã cananeia | Alta para o conjunto; datas de inscrições específicas variam |
| Aramaico antigo | Semítico noroeste | ~séculos X–IX a.C. | Inscrições reais e monumentais | Língua-irmã noroeste, não cananeia | Alta |
| Moabita | Semítico noroeste, cananeu | ~século IX a.C. | Estela de Mesa e inscrições menores | Língua-irmã cananeia muito próxima | Muito alta para Mesa |
| Hebraico antigo | Semítico noroeste, cananeu | candidatos ~século X; inequívoco/corpus crescente ~séculos IX–VIII a.C. | Inscrições, óstracos, cartas, selos | Objeto do teste | Alta para VIII; moderada/baixa para atribuições específicas do X |
| Árabe antigo | Semítico central | I milênio a.C.; definições e corpora variam | Inscrições em alfabetos norte-arábicos e nabateus, nomes | Língua-irmã central, não descendente do hebraico | Alta para a existência; fronteira “árabe” versus norte-arábico é discutida |
| Sul-arábico antigo | Semítico; posição ocidental/meridional debatida | sobretudo ~séculos VIII–VII a.C.; propostas anteriores | Inscrições monumentais e administrativas | Parente semítico distante | Alta para o corpus principal; datas altas são debatidas |
9.2 O que essa cronologia prova — e o que não prova
A cronologia prova que hebraico não é a língua escrita mais antiga conhecida e que o acadiano está documentado muito antes dele. Ela não prova que sumério ou egípcio foram as primeiras línguas faladas. A escrita surge em sociedades complexas específicas; milhares de línguas sem escrita coexistiram com os primeiros arquivos. O registro preserva materiais duráveis e instituições de escribas, não uma amostra neutra de toda a humanidade.
Também não basta dizer: “acadiano é mais antigo no papel, logo não pode descender do hebraico”. Uma língua ancestral pode ser documentada depois de uma filha se os seus primeiros textos se perderem. O argumento completo combina cronologia com estrutura: o acadiano já exibe inovações próprias, preserva morfologia proto-semítica e pertence a um ramo separado. Não há estágio hebraico intermediário, nem mudanças regulares que convertam hebraico em acadiano.