As sete proposições não são equivalentes. Uma língua pode ser muito antiga sem ser ancestral de todas as outras; pode ser a língua de um texto sagrado sem ter sido a língua histórica dos personagens; pode conservar formas arcaicas sem ser a proto-língua; e pode utilizar uma escrita antiga sem ser a língua para a qual essa escrita foi originalmente criada.
1.1 Primeira língua humana
Esta proposição afirma prioridade absoluta no tempo. Para testá-la seria necessário conectar o hebraico histórico — conhecido por inscrições e manuscritos — a um estágio situado dezenas ou centenas de milhares de anos antes da escrita. O método comparativo não alcança essa profundidade com segurança. A hipótese, na forma absoluta, excede a resolução dos dados; na forma “o hebraico histórico já existia no início da linguagem”, entra em conflito com a genealogia semítica recuperável.
1.2 Língua de Adão e Eva
Esta é uma afirmação teológica quando “Adão” designa uma figura primordial fora do alcance da documentação. Torna-se histórica apenas se forem fornecidos critérios independentes para situar as personagens, datar sua existência e recuperar sua fala. Jogos de palavras no narrador hebraico não constituem, por si, esse elo independente.
1.3 Língua única anterior a Babel
Gênesis 11 afirma unidade linguística no mundo narrativo, mas não nomeia a língua. “Era hebraico” é uma inferência tradicional, não uma frase do texto. Mesmo que alguém aceite teologicamente uma língua pré-Babel, ainda precisa demonstrar por que ela seria idêntica ao hebraico da Idade do Ferro.
1.4 Matriz de todas as línguas atuais
Esta é a afirmação mais claramente falsificável. Ela prevê que famílias como indo-europeia, sino-tibetana, austronésia, nígero-congolesa e dravídica possam ser derivadas do hebraico por séries regulares de mudanças, com vocabulário básico, morfologia e estágios intermediários explicáveis. As previsões não se confirmam.
1.5 Língua histórica mais antiga conhecida
“Mais antiga” pode significar: primeiro registro escrito; maior continuidade de uso; texto literário mais antigo; ou estágio reconstruído mais profundo. Esses critérios produzem respostas diferentes. No critério verificável de primeiro registro, o hebraico não é o mais antigo.
1.6 Língua escrita mais antiga
Língua e escrita devem ser separadas. O alfabeto paleo-hebraico é uma variante regional da tradição alfabética linear do Levante, descendente de alfabetos anteriores. A adoção de um sistema gráfico não torna a língua que o emprega ancestral das línguas escritas com sistemas aparentados.
1.7 Preservação de uma língua primordial
O hebraico conserva traços arcaicos semíticos, mas também acadiano, árabe, ugarítico, geʿez e línguas sul-arábicas modernas conservam traços que o hebraico perdeu. Uma língua pode ser conservadora em um subsistema e inovadora em outro. “Preservar um arcaísmo” não equivale a “ser o ancestral”.