Capítulo 48 — Yazidis, baha’is e minorias esquecidas
Nem todas as vítimas da violência religiosa recebem a mesma atenção. Algumas comunidades são pequenas, pouco conhecidas, sem Estado próprio, sem grande força política e sem presença forte na mídia global. Yazidis e baha’is são exemplos importantes de minorias frequentemente esquecidas.
Essas comunidades mostram que a perseguição religiosa não atinge apenas grandes religiões mundiais. Ela também atinge grupos pequenos, vulneráveis e historicamente marginalizados.
Textos e documentos atuais analisados
Yazidis no Iraque — Em 2014, o Estado Islâmico atacou a região de Sinjar e iniciou uma campanha genocida contra os yazidis, com assassinatos, sequestros, escravidão sexual, deslocamento e destruição comunitária. O United States Holocaust Memorial Museum descreve o ataque de 3 de agosto de 2014 como início de uma campanha brutal do ISIS contra o povo yazidi. (ushmm.org)
Dez anos do genocídio yazidi — O USHMM continuou registrando preocupações sobre justiça e consequências do genocídio no aniversário de dez anos dos ataques contra Sinjar. (ushmm.org)
Baha’is no Irã — A Comunidade Internacional Bahá’í relata que os baha’is iranianos enfrentam bloqueios e discriminação sistemática por causa de suas crenças religiosas. (bic.org)
Relatório Human Rights Watch sobre baha’is — A Human Rights Watch afirmou em 2024 que a repressão sistemática do Irã contra os baha’is equivale ao crime contra a humanidade de perseguição. (hrw.org)
Contexto histórico
Os yazidis são uma minoria religiosa com tradições próprias, historicamente concentrada em regiões do Iraque, Síria, Turquia e Cáucaso. Por séculos, foram mal compreendidos e demonizados por vizinhos religiosos. O Estado Islâmico os tratou como alvo de destruição, escravização e conversão forçada.
Os baha’is surgiram no século XIX no contexto persa e defendem princípios como unidade da humanidade e revelação progressiva. No Irã, são vistos pelo Estado como comunidade ilegítima e frequentemente tratados como ameaça religiosa ou política.
Ambos os casos mostram perseguição de minorias que não se encaixam bem nas grandes narrativas globais. São povos que sofrem muito e recebem pouca atenção proporcional.
Análise crítica
A perseguição contra yazidis revela uma forma extrema de violência sagrada: genocídio religioso. O objetivo não era apenas dominar, mas destruir uma comunidade como comunidade. Homens foram mortos, mulheres e meninas escravizadas, crianças separadas e identidades quebradas.
No caso baha’i, a violência é mais burocrática e estrutural: negação de direitos, repressão educacional, prisão, confisco, exclusão e propaganda. Não é necessário massacre constante para destruir uma comunidade; basta negar-lhe futuro.
Esses dois exemplos mostram dois ritmos da violência: o massacre rápido e a asfixia lenta.
Problema moral
O problema moral é a invisibilidade. O sofrimento de minorias pequenas muitas vezes não gera pressão internacional suficiente. Quando uma comunidade não tem grande poder geopolítico, sua dor se torna nota de rodapé.
A consciência crítica precisa resistir a isso. O valor de uma vida não depende do tamanho da comunidade a que pertence.
Conclusão
Yazidis e baha’is lembram que a violência religiosa não é apenas assunto das grandes tradições. Pequenas comunidades podem carregar dores imensas.
A pergunta que fica é: quantas perseguições continuam acontecendo quase em silêncio porque suas vítimas não têm força suficiente para ocupar o centro da história?